domingo, 19 de janeiro de 2014

Resenha : A menina que roubava livros - filme


Quem assistiu o filme "A menina que roubava livros", baseado no livro do escritor  Markus zusak, deve ter sentido o mesmo que eu - ou não. Eu começo dizendo que o filme é bom, mas não se compara ao livro - é de praxe falar isso, eu sei. No começo do filme eu me surpreendi porque cada cena era exatamente como eu imaginei, apesar de não ter outra maneira de imaginar um trem na neve. E continuou sendo assim, por muito tempo. Cada cena fiel ao livro.Eu gosto quando isso acontece, quando o diretor não coloca seu sentimentalismo no filme e obedece a obra original. Não foi o que aconteceu com os filmes da Jane Austen, mas isso não vem ao caso.Uma coisa que eu notei de diferente foi a atitude amorosa da Rosa, porque eu atribuí a ela durante e depois de ler o livro, uma imagem bem mais áspera e avarenta. Então depois de assistir o filme surgiu a dúvida e nada melhor para curar uma dúvida do que uma releitura básica. 

" ALGUNS DADOS SOBRE
ROSA HUBERMANN

Rosa tinha um metro e cinquenta e cinco de altura e prendia
 os fios castanhos- acizentados do cabelo elástico num coque.
Para complementar a renda dos Hubermann, 
lavava e passava roupas para
cinco das famílias mais ricas de Molching.
Sua comida era atroz.
Ela possuía a capacidade singular de irritar
quase todas as pessoas que encontrava.
Mas realmente amava Liesel Meminger.
Seu jeito de demonstrá-lo é que era estranho. 
Implicava agredi-la com acolher de pau e com as palavras,
a intervalos variáveis. "

Aí está nossa resposta mais uma coisa em que o filme é fiel a obra.  Mas ainda continuo afirmando que no filme ela é muito mais gentil do que no livro. No filme ela exprime mais os seus sentimentos e medos. Já Hans Hubermann é descrito exatamente como no livro. Tirando o fato de não lembrar dele fumando mais isso é irrelevante. Ele é retratado exatamente como deve ser, um homem que apesar da aparência externa e modos que o tornava quase invisível, ele tinha uma bondade e valor no olhar.

" ALGUNS DADOS SOBRE
HANS HUBERMANN

Ele adorava fumar.
O que mais gostava no fumo era de enrolar os cigarros.
Tinha o ofício de pintor de paredes e tocava acordeão. Isso era uma 
mão na roda, especialmente no inverno, quando ele podia ganhar
um dinheirinho tocando nos bares de  Molching, como o knoller.
Ele já me havia tapeado numa guerra mundial, mas depois seria
posto em outra( como uma espécie perversa de de recompensa), 
na qual daria um jeito de conseguir me evitar outra vez.

Outro ponto que eu achei que poderia ter tido mais ênfase foi a narração da Morte. O "slogan" do livro é "quando a morte conta uma história, você deve parar para ler. " e no entanto ela só aparece umas quatro vezes no máximo. 

Voltando aos personagens, Rudy Steiner, era o garotinho da casa ao lado, de cabelos cor de limão e que adorava correr. Seu maior ídolo era o atleta norte-americano de corrida Jesse Owens. Ele sonhava em ser tão rápido quanto ele. e isso não seria problema se o seu ídolo não fosse Negro. Na Alemanha nazista, só existia lugar para um ídolo, Hitler. Rudy era chamado de doido desde de que se pintou de preto e correu 100 metros na pista de corrida. 

" Doido ou não, Rudy sempre esteve destinado a ser o melhor amigo de Liesel. Uma bolada de neve nacara é, com certeza, o começo perfeito de uma amizade duradoura."
Alguns personagens não aparecem no filme. Como o desbocado Pfiffikus.Assim como algumas cenas como a do furto das maçãs. Mas, claro, toda adaptação precisa abrir mão de alguns detalhes, infelizmente.

A chegada de um dos personagens importantes dá-se da seguinte maneira: " Hans Hubermann?" " O Senhor ainda toca acordeão?" Entra Max. Um judeu filho de um amigo do Hans Hubermann que morreu na primeira guerra mundial e a quem prometeu cuidar-lhe do filho se um dia precisasse. Max, chegou doente, mas com o tempo foi se recuperando e ganhando a amizade de Liesel. As coisas pioravam lá fora, a guerra estava cada vez mais perto. O desenrolar da amizade entre Liesel e Max é tão bonita quanto a dela com Rudy. Um dia Max precisou partir, pois ao tentar salvar um homem de ser levado pelos guardas nazistas, Hans teve seu nome notificado. O que significava que a qualquer momento eles viriam bater na sua porta, e Max não poderia estar lá. Max se foi. Liesel agora tinha apenas Rudy. 

Partindo para o fim da história, que foi o que mais me decepcionou no filme. Não foi uma DECEPÇÃO, assim tão grande, mas eu esperava mais. Quando comecei a ler a primeira frase do capítulo " Fim do mundo ( parte II) ", eu já chorava. E quando finalmente chegou a parte onde a morte vai dizendo quem morre, um após o outro, é emocionante demais. Acho que todo mundo que leu chorou muito nessa parte, pelo menos os mais sensíveis, hihi. E o filme é tão simplório, tão superficial nessa parte - e tem aquele soldado lindo que pega Liesel no colo, e vai andando em câmera lenta todo sensual, haha. Achei que poderiam ter investido mais no final, ele poderia ser mais impactante. 

Pronto é isso. espero que tenham gostado. E se quiserem assistir o filme, eu super recomendo. É QUASE  tão bom quanto o livro. :)


3 comentários:

  1. Stephany, sou louca por cinema e literatura...gosto de postar os filmes no face...mas penso em fazer um blog...Seria bem interessante...sempre o tempo...Concordo com você na questão de que as adaptações da Literatura para o cinema nem sempre são fiéis, mas é a licença poética da sétima arte...Vi esse filme mas como uma homenagem ao leito...segue meu comentário: "Não há nada há ser contado no Cinema sobre o Nazismo...Já se fez tudo...Do Horror ao extremo poético "A Vida é Bela"...O Nazismo de belo não tinha nada; Mas, o encanto desse filme é nos fazer lembrar da nossa condição humana o tempo inteiro, é ela que nos faz diferentes, a relação vital do humano com o livros é o de mais encantador nesse belo filme...Uma frase para definí-lo:"A MEMÓRIA É O ESCRIBA DA ALMA"/Aristóteles#loucaporcinema

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  2. Olá, minha cara Stephany. Cheguei até aqui por causa de sua resemha do livro "O escafandro e a borboleta" sobre o qual estou escrevendo para publicar ainda esta semana no blog e, vi esta resenha aqui. Resolvi então lê-la também. E estou fazendo este comentário por alguns motivos. Primeiro pra lhe sugerir que, ao fazer citações, faça-as com os mesmos termos que estão no original. Encontrar erros em um texto qualquer é até aceitável mas, em citações, é o fim da picada. Só pra exemplificar pra você entender melhor. A palavra que tem no livro no trecho citado é colher e não acolher. Acolher é um verbo, inclusive, com um som diferente de colher que tem o final aberto enquanto acolher tem um som fechado. Sei que foi um engano seu que deve ter passado dedspercebido mas, isso é sério. São duas palavras A e COLHER. Separadas. Este é só um exemplo, tem outros.
    Em segundo lugar, pra lhe sugerir também, que responda aos seus leitores que comentam. Vi que Silvana comentou acima e não recebeu resposta ou, pelo menos ela não ficou registrada aqui. Isso é um modo de desestimular os leitores a comentar. Principalmente quando há uma mnesagem pra você.
    Finalmente, para reforçar o que Silvana disse acima. Um filme nunca pode ser o retrato fiel de um livro. Já pensou qual a duração de um filme que fosse explorar, como você sugerre, todos os detalhes do livro que tem 500 páginas? O filme teria duração de umas 10 horas ou mais. Teria que fazer um seriado. Quando um diretor escolhe um livro pra adaptar ao cinema, ele sabe que terá que optar por alguns detalhes que, para ele, são de maior destaque. Note bem, é a visão do diretor. Não a sua. E você precisa respeitar a visão dele. Nunca ele terá a mesma visão que você. Se você queria outro final, faça outro filme. Desculpe, se pareço grosseiro. Estou apenas querendo esclarecer. Eu gostei muito do filme. Quase tanto quanto do livro, como você. Mas não me decepcionei com o filme. O livro, é claro, é muito mais rico, com mais detalhes, mais possibilidades, mais fantasias a despertar. O autor ao escrever um livro, conta com a imaginação dos leitores. No filme não é assim. O diretor precisa mostrar as coisas que quer, embora que no cinema, também existe a possibilidade da imaginação.
    Bem, mesmo assim eu gostei do seu blog. Principalmente pelo outro texto mencionado e que vou agora comentar também por lá.

    Sou Alberto Valença do blog Verdades de um Ser e colaborador do Meu pequeno vício e Depois da sessão de cinema. Agora criei também um blog de viagens - O seu companheiro de viagem.

    Verdades de um Ser
    O seu companheiro de viagem

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    1. Olá Alberto! Agradeço pelo comentário, pelos "toques" e pela crítica também! Sobre os errinhos ortográficos, devem-se a minha falta de tempo para revisar os posts. quando comecei o blog tinha mais tempo para dedicar a ele, assim como para ler. Hoje como se pode ver ele está meio em "stand by", o motivo de eu também não responder alguns comentários. As ultimas postagens foram meio feitas as pressas, por isso escapa algumas coisas. Mas agradeço pelo toque. fico feliz em saber que você tenha gostado apesar de tudo. :)

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